Apresentação da Mostra de Fotografias Friulanas
Santa Maria,14/05/2005.
 

Transcrevermos aqui a apresentação da Mostra feita pelo próprio Assessor Cultural da Província de Udine, Maurício Cigolot:

APRESENTAÇÃO:

"Este é mais um novo encontro da Província de Udine com a fotografia. Desta vez com o objetivo de conjugar a expressão artística com o conteúdo documentário das obras expostas.

O esforço é grande, quase um desafio, porque o que se quer – e o público dirá se conseguimos – é traçar a linha da evolução da imagem do nosso território no giro de um século, e que século!

1860 – 1960: dos últimos anos antes do reino da Itália, aos últimos anos de fuga da Itália.

Não gostaria que uma tal definição parecesse polêmica e, sobretudo, fora de lugar, mas esta é a característica distintiva de um século, do qual a primeira metade em outros lugares era chamada Belle Epoque, mas no Friuli assinalou o início da imigração em massa, e a segunda metade, terrível em toda a Europa, trouxe para nossa Província, mais que em qualquer outro lugar, invasões, destruições e êxodos.

Tanto na paz como na guerra, a perda de energia jovem de homens e mulheres em ativi-dade, foi a característica predominante do período de onde provêm as imagens publicadas. Neste século, porém, a nossa Província conhece, também, uma profunda transfor-mação da organização econômica e social, ou, pelo menos, estabelece as bases e alcança o preâmbulo desta, com ritmos que, inicialmente lentos, tornam-se aos poucos acele-rados: uma evolução primeiro freada pela emigração, mas depois, tornada possível inclusive pelas idéias e pelo conhecimento amadurecidos no exterior.

O que resta, nestas imagens, da mudança dos nossos montes, das nossas vilas e povoados, e das pessoas que aí residiam, naquela que era a maior Província da Itália?

É perceptível o desejo de alguns autores de celebrar ou, pelo menos, de conservar a imagem de um ambiente amado mas que está por mudar, ou talvez, já esteja mudado.

Mudam os trabalhos e os aspectos das pessoas, mas mudam também, e quanto, os tetos das casas e os aspectos dos vilarejos mais remotos.
As pontes e as estradas de ferro, orgulhosamente ilustradas, mudam as fachadas das montanhas e, periodicamente, os terremotos mostram o sentido da precariedade dos chamados bens imóveis.

Sentimentos comuns, como o afeto pela própria terra e a saudade, evidentes em muitas das obras aqui incluídas, parecem fazer pensar que a única coisa estável seja a memória, se garantida pelo extraordinário testemunho que é a máquina fotográfica.

Creio poder dizer que justamente este tenha sido um dos motivos pelos quais, há mais de dez anos, a Província de Udine está empenhada na aquisição e exposição pública do patrimônio fotográfico existente. Um esforço que deve continuar em todos os sentidos, principalmente, em um momento como o atual em que, de um lado, a movimentação dos povos tornou-se novamente veloz também na nossa terra e, de outro, iniciou-se um grande esforço de modernização e desenvolvimento que, se não for bem governado, no conhecimento pleno de si mesmo e da própria identidade, poderá trazer um achatamento cultural – que certamente não está nos nossos planos – e a perda da imagem que temos de nós mesmos como friulanos.

Confio, portanto, este volume sobretudo aos mais jovens, para que possam refletir sobre estas esplêndidas imagens em preto e branco e, talvez, ver tantas outras, ordenadamente conservadas na acolhedora fototeca dos Museus Cívicos do Castelo de Udine, e, depois, confrontá-las com quantas possam ver hoje, em cores, com os próprios olhos.

Um bom exercício para se imaginar e projetar um futuro desejável, ao invés de suportar um alheio."

Fabrizio Cigolot
Assessor Cultural da Província de Udine

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