Transcrevermos
aqui a apresentação da Mostra feita pelo
próprio Assessor Cultural da Província
de Udine, Maurício Cigolot:
APRESENTAÇÃO:
"Este
é mais um novo encontro da Província de
Udine com a fotografia. Desta vez com o objetivo de
conjugar a expressão artística com o conteúdo
documentário das obras expostas.
O esforço é grande, quase um desafio,
porque o que se quer – e o público dirá
se conseguimos – é traçar a linha
da evolução da imagem do nosso território
no giro de um século, e que século!
1860 – 1960: dos últimos anos antes do
reino da Itália, aos últimos anos de fuga
da Itália.
Não gostaria que uma tal definição
parecesse polêmica e, sobretudo, fora de lugar,
mas esta é a característica distintiva
de um século, do qual a primeira metade em outros
lugares era chamada Belle Epoque, mas no Friuli assinalou
o início da imigração em massa,
e a segunda metade, terrível em toda a Europa,
trouxe para nossa Província, mais que em qualquer
outro lugar, invasões, destruições
e êxodos.
Tanto na paz como na guerra, a perda de energia jovem
de homens e mulheres em ativi-dade, foi a característica
predominante do período de onde provêm
as imagens publicadas. Neste século, porém,
a nossa Província conhece, também, uma
profunda transfor-mação da organização
econômica e social, ou, pelo menos, estabelece
as bases e alcança o preâmbulo desta, com
ritmos que, inicialmente lentos, tornam-se aos poucos
acele-rados: uma evolução primeiro freada
pela emigração, mas depois, tornada possível
inclusive pelas idéias e pelo conhecimento amadurecidos
no exterior.
O que resta, nestas imagens, da mudança dos nossos
montes, das nossas vilas e povoados, e das pessoas que
aí residiam, naquela que era a maior Província
da Itália?
É perceptível o desejo de alguns autores
de celebrar ou, pelo menos, de conservar a imagem de
um ambiente amado mas que está por mudar, ou
talvez, já esteja mudado.
Mudam os trabalhos e os aspectos das pessoas, mas mudam
também, e quanto, os tetos das casas e os aspectos
dos vilarejos mais remotos.
As pontes e as estradas de ferro, orgulhosamente ilustradas,
mudam as fachadas das montanhas e, periodicamente, os
terremotos mostram o sentido da precariedade dos chamados
bens imóveis.
Sentimentos comuns, como o afeto pela própria
terra e a saudade, evidentes em muitas das obras aqui
incluídas, parecem fazer pensar que a única
coisa estável seja a memória, se garantida
pelo extraordinário testemunho que é a
máquina fotográfica.
Creio poder dizer que justamente este tenha sido um
dos motivos pelos quais, há mais de dez anos,
a Província de Udine está empenhada na
aquisição e exposição pública
do patrimônio fotográfico existente. Um
esforço que deve continuar em todos os sentidos,
principalmente, em um momento como o atual em que, de
um lado, a movimentação dos povos tornou-se
novamente veloz também na nossa terra e, de outro,
iniciou-se um grande esforço de modernização
e desenvolvimento que, se não for bem governado,
no conhecimento pleno de si mesmo e da própria
identidade, poderá trazer um achatamento cultural
– que certamente não está nos nossos
planos – e a perda da imagem que temos de nós
mesmos como friulanos.
Confio, portanto, este volume sobretudo aos mais jovens,
para que possam refletir sobre estas esplêndidas
imagens em preto e branco e, talvez, ver tantas outras,
ordenadamente conservadas na acolhedora fototeca dos
Museus Cívicos do Castelo de Udine, e, depois,
confrontá-las com quantas possam ver hoje, em
cores, com os próprios olhos.
Um bom exercício para se imaginar e projetar
um futuro desejável, ao invés de suportar
um alheio."
Fabrizio Cigolot
Assessor Cultural da Província de Udine
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